Nota:
Contudo, é a melhor maneira que tenho de partilhar convosco o "martírio" que é esperar pelo Lopes quando pedalo com ele...
Acho simpático partilhar esta sensação convosco. E quem já pedalou com ele ... sabe muito bem do que falo!!
"Louco por Cumes"



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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008
A “coisa” “azedou” logo à partida, tendo em conta os três “desgraçados” que compareceram no Nanni: eu, o Hugo e o Alex…







Uma noite no “Lacrau”…
O trompete, o trombone, … … … e outros “ruídos orquestrais”…
A cinco (5!!) graus … abaixo (!!) de zero!!!...
Subindo ao “Inferno” pelo Poço do dito.
A bela sandocha no Covão do Caroço.
Valha-nos Nª Srª da Boa Estrela!
De novo na Torre.
Lagoacho … de gelo!
Na interminável calçada de Manteigas.
Adeus “Lacrau” … boa noite “Lontra”!
Aguardando a “orquestra”…



(brevemente, a crónica)






Incursão solitária à Serra da Estrela para “desenferrujar” os pedais e dar largas à “loucura dos cumes”!
A saga começa bem cedinho, pelas 8 da matina, à porta do Parque de Campismo do Vale de Rossim. Para ajeitar a “carapinha”, inicio a longa, longa descida até Seia. O ritmo é lento, de maneira a ir apreciando a paisagem sobre as nuvens baixas que lá ao fundo cobrem a lezíria e a resistir ao frio que baixa dos 19 para os 13 graus ao longo da descida…


Com recolha de alguma informação no Posto de Turismo de Seia, sigo pela nacional até à Catraia de São Romão, aproximando-me do primeiro desafio do dia…
Desço a Vila Cova à Coelheira …





… e ao maior desafio do dia: o ataque à Torre pela vertente de Vide!
Após a Portela do Arão sigo para o Alto do Carrazedo e inicio a descida de 10 Kms que me leva 700 metros mais abaixo, a Vide. Este é o povoado a mais baixa altitude de todo o Parque Natural da Serra da Estrela (aprox. 300 mts). O que se segue é a ascensão à Torre pela vertente que, na minha opinião, é a subida mais dura de Portugal Continental. Tem o maior desnível (aprox. 1.700 mts), tem “repechos” duros (um máximo de 19%) e é bem longa (31.550 mts a 5,4%), tratando-se de uma pura categoria especial.
Paro, estico as pernas, dou uns saltos, mastigo uns hidratos, e lá vou eu ao martírio que desejo desde que tive conhecimento da asfaltagem da estrada de São Bento, debaixo de uns incríveis 31 (!) graus de temperatura atmosférica. Enveredo pela estradita para Cabeça que, na carta militar, me parecia bem mais dura que a do Alto do Carrazedo. E isso verifica-se logo nas rampas iniciais…
Os primeiros 8 quilómetros, até à aldeia de Cabeça, têm um relevo algo irregular, alternando rampas muito duras com descidas.
Á saída de Vide aqueço as pernas em 600 metros a 11%, segue-se uma ligeira descida, o pequeno povoado de Muro e uma terrível rampa, entre duas curvas, com 19% de inclinação máxima, que deixarão “pregados” os incautos fãs das relações pesadas que se aventurarem por este caminho serrano e não tomarem em devida atenção a designação da última aldeia...
Nova descida até Casal de Rei e nova rampa, até Cabeça, com um quilómetro acima dos 9%.
À entrada de Cabeça, e após 8 Kms “esquisitos”, seguem-se 5,5 Kms “regulares” a 8,5%, onde nunca se ultrapassam os 12%.
Após a rotunda da Portela do Arão, continuo pela belíssima estrada de São Bento, agora alcatroada e bem mais acessível do que quando era “selvagem”.
Este troço de 9,3 Kms a 7% tem alguma assimetria, alternando “descansos” com rampas a 14%, devidamente assinaladas. Tem a maior dureza já próximo da Lagoa Comprida, onde há dois Kms acima dos 11% e um outro, que supera os 10.
Na rotunda que se segue e já acima da Lagoa Comprida, ataco os derradeiros 9 Kms até à Torre, com um sobe e desce que não alcança os 4% de média. Aqui é o cansaço acumulado que dita leis.
Neste pedaço apanho novamente um frio de rachar (13º) e um nevoeiro cerradíssimo oriundo do Vale de Loriga e dos diversos covões. Trata-se do conhecido microclima “áspero” desta vertente virada para o mar e que por vezes faz das suas… E eu de manguinha curta… Brrrrrrrr…
Já na Torre paro no café local para retemperar do esforço ao que se segue a descida a Manteigas, pelo sempre esplendoroso vale glaciário e sob um solinho agradável que nada tem de semelhante com o nevoeiro que reinava do “outro lado”.



Em Manteigas meto pela via florestal (a alcatroada, não a famosa “parede” empedrada). Com rampas duras e em zig-zag, somando curva e contra-curva, lá vou progredindo, metro a metro. Ao passar a escola há uma rampa mantida a 14%. A cobertura vegetal proporcionada por árvores de grande porte e o incrível som das imensas aves que por aqui esvoaçam faz desta subida a que mais me agrada de entre todas as subidas da Serra da Estrela.
Após 4 duros Kms a 9% aparece o cruzamento da nacional oriunda de Manteigas que leva às Penhas Douradas a pendentes muito mais suaves. Os últimos quilómetros, já em descompressão, estão salpicados de bonitas paisagens e algumas casas curiosas, bem típicas das terras altas. Após o topo das Penhas Douradas desço o caminho pela margem direita da barragem do Vale de Rossim e dou por finalizada a etapa mais dura da minha vida…
…128,87 Kms com 3.694 mts de desnível acumulado, aproximadamente 30% de inclinação máxima superada, temperaturas entre os 13 e os 31 (!) graus, 196 bpm na aterradora “parede” da Lapa, 9 horas e 24 minutos a pedalar…
Um “tormento” a repetir e digno dos anais de qualquer “louco por cumes”…
Serra da Estrela (dados das subidas realizadas):
Vila Cova à Coelheira – Lapa dos Dinheiros (monumento): distância – 5,42 Kms; altitude - 797 mts; desnível - 421 mts; pendente média - 7,8%; pendente máxima - ~30%; Km mais duro - >14,5%; Coef APM - 162; Coef APM a cada 100 mts – 173; observação: últimos 400 mts a 19% de inclinação média…
Lapa dos Dinheiros – Portela do Arão: distância – 7,86 Kms; altitude – 958 mts; desnível – 363 mts; pendente média - 4,6%; pendente máxima – 11%; Km mais duro - 6,4%; Coef APM - 57; Coef APM a cada 100 mts – 62.
Vide - Torre: distância – 31,55 Kms; altitude – 1.993 mts; desnível – 1.688 mts; pendente média - 5,4%; pendente máxima - 19%; Km mais duro - 11,5%; Coef APM - 415; Coef APM a cada 100 mts – 532; observação: subida com maior coeficiente APM de Portugal Continental.
Manteigas – Penhas Douradas: distância – 12,61 Kms; altitude – 1.518 mts; desnível – 726 mts; pendente média - 5,8%; pendente máxima – 14%; Km mais duro - 9,5%; Coef APM - 151; Coef APM a cada 100 mts – 166.
















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(Monte Abraão - 383 mts)

















Estava eu a apreciar atentamente o seu “jeitinho”, quando … … …
… … … a roda dianteira lhe foge para a direita atirando-o, de cabeça, para a zona mais profunda da “piscina”!! Numa classificação de 0 a 10 numa prova de mergulhos encarpados, este levaria, sem dúvida, um 9,9!!!
Completamente embasbacado, vejo o meu companheiro desaparecer no lodo e … levantar-se uma “horrenda criatura”, qual “monstrengo do lamaçal”, escorrendo barro e pingando lama!!!
Eu nem consegui perguntar-lhe se se tinha magoado, tal foi o ataque de gargalhada que de mim se apoderou!! O gajo, de sorriso amarelado mas “puto da vida”, lá acabou por dar a mão à palmatória rindo também da hilariante situação.
O Sousa também entrou na “festa”, descrevendo os salpicos que ainda sentiu atrás de si. Depois, ainda existiram “foguetes” para o Luís e mais um camarada que resistiam no passeio. Para não perder a paródia, o Lopes telefonou e riu-se também, ficando com pena de não ter presenciado ao vivo o “oleiro” que estava na nossa frente.
Finalmente, e já com dores de barriga de tanto rir, descemos até Loures. O Nuno, ainda pingando lama, lá foi para a “desinfestação”!
Mais uma volta com momentos hilariantes.
Foram 43 Kms a 13 Kms/hr de média e 1.030 mts de acumulado para todos, excepto para o Nuno, que também fez mergulho e deu duas ou três braçadas.
Participaram neste giro: alguns desconhecidos; o do colapso; os da gargalhada (Pinto, Sousa, Luís e “o de cinzento”), e o hilariante “Mostrengo do Lamaçal” (Nuno).


Malga Palazzo - Scanuppia: Gráfico de Altimetria
... 45% !?!?!? ...
... ciclável? ...

... talvez um local onde se pedem desejos ...

... ... ...

... explêndido!


Sem comentários: Subindo o Malga Palazzo - Besenello - Via Scanuppia ... ... Quem sabe, um dia...
Nebelhorn:
Longitude – 7,8 Kms
Altitude – 1.925 mts
Pendente Média –
Pendente Máxima - ~40%
2 Kms acima dos 22%...
Rampas acima dos 40% de inclinação…
Nebelhorn: Gráfico de Altimetria
Vista aérea
Degraus para ajudar os "pedestres" a vencer a enorme inclinação!
... vertigem ...
Este parece amedrontado: vou ou não vou subir?... ... ... Eu ia...
As imagens valem por mil palavras...
Aterrador!!!
.
Etiquetas: 45%, altimetria, climbing, Cycling, Europe, Germany, Italy, Malga, Nebelhorn, Palazzo, Scanuppia, step


Sem dúvida um "colosso" mais duro que o Angliru, apesar de não atingir os 23,5% de pendente máxima do "irmão" espanhol.
Na minha opinião, esta montanha é a mais difícil que alguma das 3 grandes voltas enfrentará... Não me parece que, no futuro, tentem algo mais arrojado. Esta escalada já roça o limite do "humano".


Vídeo da escalada do Monte Zoncolan: 17ª etapa do Giro 2007 (ao som de "Heaven and Hell" dos Black Sabbath, com a voz desse monstro sagrado do Heavy Metal, Ronnie James Dio).
Brevemente, estarão aqui em exposição 2 montanhas europeias "inumanas".
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Etiquetas: 22%, altimetria, climbing, Cycling, Italy, step, Zoncolan
Desta vez fui “aldrabado”! Eu a pensar que a “coisa” era acidentada e afinal... sai-me uma “voltinha” pá terceira idade!
40 Kms seguidos a rolar é de pôr os cabelos em pé a qualquer “trepador”. E os “Calmeirões”, quais locomotivas, não deixam a “coisa” assentar numa velocidade cruzeiro “confortável”…
Após Alenquer o percurso é muito bonito, presenteando-nos com magníficas paisagens típicas da extremadura vinícula. Em Bucelas, lá apareceu, de novo, o “grito percentual” e fui “queimar” o “resto” até ao topo do Cabeço de Montachique, por Ribas (que não faz parte da "Clássica de Alenquer").




À Conquista das Astúrias
7 – El Angliru - 16 de Junho de 2006

Após pernoitar no Parque de Campismo de Puerto de San Isidro, a 1.520 mts de altitude, arranco de automóvel em direcção a Langreo, para visitar o Museo de la Minería y de la Industria. Depois de passar a povoação de Cabañaquinta, em direcção ao Puerto de La Colladona (850 mts), levanta-se um temporal medonho… Os “deuses da tormenta” parecem estar “ofendidos”, por ser hoje o dia em que planeio realizar um sonho que se arrasta desde 1993 … escalar o imperial Angliru …
A visita a Langreo é plenamente justificada para quem apreciar museus. Foi dos mais originais que visitei até hoje, pois, além da riqueza informativa e imensa maquinaria,

compreende uma “viagem” por uma mina artificial, onde se podem percorrer dificílimos túneis como se de verdadeiros mineiros nos tratássemos! Muito original e engraçado.
Dirigi-me depois para Santa Eulália, no sopé da Sierra del Aramo. O temporal, por aqui, parece ainda mais aterrador! Como é impossível “vergar” o “colosso” nestas condições climatéricas, por falta de tracção, decido ir fazer um reconhecimento de automóvel. Subo pela vertente de Santa Eulália até Via Pará, um bonito Parque de Merendas a meio da encosta. Existem algumas rampas de forte pendente (até 18%), mas sempre muito curtas.
Após este parque paradisíaco, a paisagem parece transformar-se, dando lugar ao inferno…
A estrada torna-se muitíssimo inclinada, sucedendo-se rampas longas de elevada pendente. Torna-se evidente que a Cuesta de Les Cabanes é muito complicada de transpor de bicicleta e a monstruosa rampa de La Cueña Les Cabres não deixa equívocos… Se não se estiver bem nesta fase final da ascensão e se não houver algum “juízo” … o apeanço é certo! As inclinações ainda são mais evidentes quando, após chegar ao cume, inicio a descida. Na Cueña Les Cabres, após engatar a 1ª velocidade e deixar a gravidade actuar, o conta-rotações sobe de forma incrível, entrando rapidamente no red-line!!
Já em La Vega, visito a Igreja e o Município e informo-me sobre a logística. Aconselhado pelas funcionárias do município, vou almoçar ao restaurante Bar Chus, gerido pelo vereador dos desportos, Roberto Álvarez. Este simpático asturiano, idolatra a “sua” montanha, e fala-me com gosto de histórias rocambolescas. Tem imensas reportagens emolduradas nas paredes do estabelecimento sobre a “curta” história do Angliru. Esteve presente, inclusive, nas tentativas frustradas de subir sem apear de José Maria “El Chaba” Jimenez, José Luis “Chechu” Rubiera, José Manuel “Coque” Uria e Fernando Escartin, entre outros; e da ascensão bem sucedida, mas extremamente sofrida, de Pedro “Perico” Delgado que, apesar de ir de pedaleira tripla com um andamento suave de 30x23 (escalou uma segunda vez com 30x25), teve imensas dificuldades na Cueña. “Ele ia em zig-zag!!”, contou-me o asturiano.
Não parece muito convencido do meu optimismo de “vergar” o “colosso” e transmite-me isso mesmo. “Muitos já cá vieram e voltam para baixo ao tentarem passar as primeiras rampas após o parque de merendas de Via Pará. E juram que não voltarão a tentar!!”
Mas eu, confiante, garanto-lhe que vou conseguir chegar ao topo sem desmontar. Ele, no entanto, não fica convencido…
Acrescentando à dificuldade das rampas ainda evidencia que “… e só um louco enfrentará a montanha hoje!! Olha a tormenta! …” diz, apontando as nuvens negras e os “cântaros” que jorram para lá das janelas do restaurante.
Após o belo repasto, despeço-me dele e dirijo-me a Pola de Lena para visitar a Igreja pré-românica local (Santa Cristina de Lena), a qual faz parte da rota asturiana dos monumentos pré-românicos. Fica situada numa colina idílica e está muitíssimo bem preservada.
O cuidado que os asturianos têm com o seu património é algo que impressiona qualquer um.
Após a visita ao monumento e ao seu pequeno museu, qual não é o meu espanto ao verificar que a “borrasca” se desvaneceu… Nem penso duas vezes. Saio disparado em direcção a La Vega.
São cinco da tarde e o asfalto está quase seco. O sol espreita entre as nuvens. Não há tempo a perder. Pego na “estradeira”, faço um pequeno aquecimento nas ruas da vila e preparo-me para iniciar o “martírio”, desejado há 13 anos, desde a primeira vez que ouvi falar desta rampa, em 1993… Um sonho da juventude, prestes a ser concretizado…
A Escalada
Começo a pedalar em direcção a Via Pará. Vou de pedaleira 42, mas em ritmo calmo. Optei por menosprezar completamente o tempo da ascensão, privilegiando a escalada sem paragens. A conversa com o vereador aumentou as minhas precauções. Nem penso num eventual fracasso…
Vou-me orientando pelas placas informativas existentes na berma da estrada todos os quilómetros e pela cábula que elaborei para saber onde tenho de ter muito “juizinho”.

Altimetria - www.altimetrias.com
Ao passar pelo restaurante Bar Chus, vejo o vereador de olhos esbugalhados a olhar para mim! Sai imediatamente para a estrada a dar-me alento: “Allez, xalado, allez…”
Até Via Pará não existem dificuldades. Corre tudo sem qualquer sobressalto. Ao chegar aqui, meto a pedaleira de 30 e vou alternando apenas os carretos mais leves (24,21,18). Sei que se aproxima a primeira grande dificuldade (Cuesta de Les Cabanes com um máximo de 22%). E o primeiro quilómetro é duríssimo (quase 14% de inclinação média!!).
Precedendo a primeira rampa vejo escrito no chão a tinta amarela já muito sumida: “Empieza el infierno”. Nem mais…
As rampas duras sucedem-se e ao chegar a Les Cabanes tenho de ir “a prego”. Não há alternativa. A bicicleta ainda se encavalita umas 3 ou 4 vezes. Esta zona é muito bonita, sucedendo-se várias curvas em ferradura. O asfalto está bem conservado e seco, mas se estivesse húmido, duvido que conseguisse transpor este duríssimo troço.
Depois desta zona segue-se um “descanso” de 2 quilómetros, onde as percentagens rondam os 12% com um máximo de 14,5% na zona dos Llagos.
Após este “relaxe” surge a famosa “parede” de 3 quilómetros, onde a inclinação média supera a impressionante cifra dos 15%!! Leram bem… 3 quilómetros acima dos 15% de média!! Numa só palavra: Demolidor.
Logo no início, a dar as boas vindas e avisando-nos do que nos espera, temos a terrível curva de Les Picones, a 20%. Após 400 metros nova curva, dura, à direita.
Aqui, é possível vislumbrar, lá em cima, a divinal rampa de La Cueña Les Cabres. Também se pode observar a linda paisagem, com quilómetros e quilómetros de extensão.
Passo a placa que informa sobre esse quilómetro mortífero a 17,5%, com 23,5% de pendente máxima.

Sei que é agora a fase do tudo ou nada... Quem não está bem não passa este quilómetro montado. Aqui não existe a opção entre ir devagar ou depressa, mas sim, devagarinho ou … a pé!!
Meto o andamento 30x24 e vou pedalando vagarosamente. Após a placa, segue-se um esforço imenso para fazer a curva de Cobayos a 21,5%. A visão, após esta curva de ferradura à esquerda, é aterradora e fará “penar” o mais corajoso…

Sempre em frente, delineando a escarpada encosta da Sierra del Aramo, apresenta-se-nos a magistral Cueña Les Cabres. Aqui, o melhor mesmo é não olhar para a frente e irmo-nos entretendo a mirar a paisagem, à esquerda, que se estende até ao Mar Cantábrico. A progressão é penosa… A meio da rampa, temos a placa informativa da zona mais dura.

Passados uns cem metros temos o primeiro troço acima dos 22%. Duríssimo… Faço-o sempre sentado, mas o guiador tem de ser firmemente empurrado para baixo, pois parece ter vida própria a querer fazer-nos rebolar, de costas, encosta abaixo. A borbulha do inclinómetro parece atingida por alguma espécie de loucura, chegando quase ao limite... Vêem-me à mente as inúmeras vezes que subi ao topo do Cabeço de Montachique, pois a inclinação é muito semelhante. Depois de um “descanso” (que bem soube…) a 20% (!!), novo “muro”, este a 23,5%. Aqui, tenho mesmo de me levantar do selim, pedalando sobre os crenks. O 30x24 parece-me uma “talega” pesadona… A rampa parece não ter fim… Contudo, sigo sempre a direito. Passo a “tormenta” sem andar aos “esses”.
Finalmente, termina este troço complicado e tenho tempo para respirar, na curva à direita, que existe no final da “parede”. Estou radiante!! Passei!!
Meto uns carretos mais pesados sem, contudo, tirar a pedaleira de 30 dentes. Nova curva à esquerda (El Alviru) a 21,5%.

Tenho de socorrer-me de novo do carreto de 24 dentes. Aqui quase tenho um colapso por asfixia!! Não me posso empolgar no andamento ou ainda deito tudo a perder... Refreio os ânimos e ataco as curvas finais de Les Piedrusines, a 20%, com mais “juízo”…

Finalmente … o paraíso ...
Meto o prato de 42, embalando na ligeira descida,

até ao Parque onde está a placa desejada:
Cima L’Angliru – 1.570 mts


Divinal!! “Verguei” o “Monstro”!!
Tiro algumas fotos para a posteridade; falo com um casal de caminhantes que retorna da escalada ao topo do alto de La Gamonal, a 1.712 mts de altitude; dou uma volta pelas redondezas do Parque, relaxando de tão penosa façanha, que me levou 1:29 Hrs de tempo de vida!
Descuido-me um pouco com o tempo de relaxe e começa a escurecer… Repentinamente, sou bombardeado por uma tremenda chuvada! Não tenho memória de tormenta igual! A fúria dos “deuses da montanha” parece ser descarregada sobre o incauto que ousou enfrentar o “colosso” em dia de tempestade…
Inicio a descida com imensa precaução, devido ao piso inclinado e escorregadio…
A coisa apresenta-se-me mais negra que as nuvens que me rodeiam…
Mesmo assim, vou tirando alguma fotos durante a descida. O nevoeiro é muito intenso em algumas zonas. Ao abeirar-me do precipício (Cueña Les Cabres) quase “marro” numa vaca local que transita, fora de mão, em sentido inverso! Pelo seu ar de espanto, parece-me que fica tão surpreendida do acidente eminente como eu…

Sou obrigado a desmontar! É impossível descer montado nestas condições. O piso está extremamente escorregadio. Tenho de ir a andar pela berma, pois a inclinação é tal que, se for pelo asfalto, os sapatos escorregam e levam-me à queda. Após a curva de Cobayos,

torno a montar, mas passados 3 quilómetros, sou obrigado a desmontar de novo, na Cuesta de Les Cabanes. Aqui, quase não se vê um palmo à frente do nariz…

Monto de novo e vou descendo vagarosamente até La Vega. Já está escuro e a visibilidade é muito diminuta. Desejo que não me apareça nenhum quadrúpede especado na estrada…
Paro no restaurante Bar Chus, após 1:39 Hrs (!!) de penosa descida, e sou saudado pelo simpático Roberto que imediatamente me convida a sentar numa mesa que já tinha preparado para mim. Afirmou estar à minha espera e que já estava preocupado, por saber que os temporais por aqui são de uma invulgar violência. E este … era …
Encharcado que nem um pinto … deliciei-me com o repasto e as iguarias caseiras que me preparou. Ainda me ofereceu dois livros e dois pins sobre o Angliru. Após a refeição e agradável conversa com ele e o casal de caminhantes que tinha encontrado no cume, despedi-me e dirigi-me à residencial Zoraida, onde pernoitei e tive a oportunidade de sonhar com um sonho concretizado...
Nota: Quando vinha a pé, a descer a montanha, acossado pela intempérie, só dizia para mim próprio que não voltaria a repetir a façanha e deixaria em sossego a montanha. Mas, no dia seguinte, ao olhar para ela, fiquei com uma certeza … … … voltarei a “vergá-la”…
Agradecimentos: A Roberto Álvarez, pela simpatia e hospitalidade.
El Angliru – El Olimpo del Ciclismo
Dados:
Altitude – 1.573 mts
Desnível – 1.266 mts
Longitude – 12,5 Kms
Pendente Média – 10,13%
Pendente Máxima – 23,5%
6,7 Kms a uma inclinação média superior a 13%.
3 Kms (de Les Picones a Les Piedrusines) a uma inclinação média superior a 15%.
1 Km a 17,5% de inclinação média.
Tiradas para a história:
Antes da escalada
José Maria “El Chaba” Jiménez, justificando o 42x21 que tem para efectuar a subida, em resposta aos que lhe dizem que assim vai apear – “… por muito dura que seja, a um ritmo tranquilo, subirei…” (mas, apeou)
Fernando Escartin, justificando o 41x25 que tem para efectuar a subida, em resposta aos que lhe dizem que assim vai apear – “… Nem pensar! Com isto até subo uma “parede”…” (mas, apeou)
Durante a escalada
José Maria “El Chaba” Jiménez, após apear na Cuesta de Les Cabanes, para mudar a roda traseira, montando uma com um carreto de 28 dentes – “…é exageradamente inclinado, não esperava rampas tão duras…”
Fernando Escartin, após apear na Cuesta de Les Cabanes – “Mamma mia! Isto vai ser uma bomba na Vuelta…”
Após a escalada
José Maria “El Chaba” Jiménez – “… nunca tinha subido um cume como esse na minha vida…”
José Luis “Chechu” Rubiera – “… é o cume mais duro que subi na vida …”
José Manuel “Coque” Uria – “… nem o Mortirolo se lhe pode comparar…”
Fernando Escartin – “… é duríssimo! Tenho 30 anos e na minha vida nunca subi nada igual, nem creio que o venha a fazer…”
Pedro “Perico” Delgado, as suas primeiras palavras após desmontar, no cume – “Ay, Dios mío, qué duro és esto! Pero de dónde habéis sacado esta montaña?”; na entrevista que se seguiu - “… apesar de levar um 30x23, passei muito mal na rampa mais dura … devia ter montado um carreto de 25 dentes…”

Enquanto estou a preparar a bicicleta, passa um grupo de cicloturistas que vai em direcção ao Puerto de Ponton. Perguntam-me que itinerário vou tomar. Digo-lhes que vou subir Casielles e se me querem acompanhar, mas … não consegui convencer ninguém! Parece que este "muro" é bem conhecido por estas bandas, sendo inclusive, apelidado de “Petit Alpe d’Huez”, devido às suas 23 curvas!

(Foto aérea das 23 curvas do "Petit Alpe d’Huez” - Casielles)
Olho uma última vez para o gráfico de altimetria da “parede” que quero “vergar”. Não tenho conta-Km nem pulsómetro, pelo que a subida será “às cegas”! Apenas tenho o inclinómetro para me ir divertindo a ver a borbulha lá no topo! Decido controlar a distância pelo número de curvas.

Altimetria - www.altimetrias.com
Dou umas voltas no desfiladeiro para aquecer e depois inicio o “martírio”…
O caminho, inicialmente, é incrustado na parede da garganta do Rio Porciles, afluente do Rio Sella que passa em Cangas de Onis. As boas vindas são dadas, quase de imediato, por uma “parede” de 16% seguindo-se uma dificílima rampa acima de 20%! E longa...
Como se não bastasse a impressionante inclinação, a humidade existente no asfalto faz a roda tractora derrapar, tornando a ascensão ainda mais penosa...

O ritmo é tão lento que dá para apreciar a natureza e ouvir da água do rio e o chilrear dos pássaros. Passo uma ponte que dá acesso a uma estradita sem saída que sobe até Casielles e aí … começa a parte realmente complicada… Sobem-se aproximadamente 380 mts em apenas 3 Km, sendo o primeiro a 14% de inclinação média!! Meto o prato de 30 dentes e o carreto de 24 … e lá vou eu, pedalando vagarosamente…


É a subida mais bela de que me lembro… As constantes curvas vão dando uma diferente perspectiva da paisagem que se vai abrindo com o passar dos metros.

Há algumas rampas muito duras, inclusive acima dos 20%!

O piso é péssimo, pois o asfalto está coberto de gravilha, o que impossibilita pedalar sem estar sentado sob perigo de derrapagem.

Após passar as primeiras agruras fico convicto que vou fazer a rampa toda sem apear. O constante tornear infligido pelas infindáveis curvas de 180º não permitem que o tédio da velocidade diminuta torne a ascensão monótona.

Ainda mais impressionante que a paisagem, é o som dos imensos pássaros que esvoaçam por aqui. A paisagem, o som dos pássaros, o odor das árvores, a textura do guiador e o sabor do esforço formam uma tal mescla que a sensação reinante é de que todos os sentidos estão ao rubro. Para quem, como eu, gostar da natureza no seu estado mais puro, esta jornada será sempre um prazer.

Já próximo do cume, ao chegar à povoação, ainda existem algumas rampas complicadas a superar os 20% e com o piso muito degradado. Mas, depois desta penosa “tortura”, não seria aqui que iria apear…

Ao chegar ao topo, desmonto da bicicleta para mirar a paisagem natural que se me depara, esticar as pernas, tirar algumas fotos ...

... e sentir um pouco da fabulosa sensação que este local recôndito de tamanha beleza oferece. Meto aqui umas fotos, mas ao observá-las tenho plena consciência de que não reflectem verdadeiramente a beleza a que assisti.

Fico convencido que “vergarei” o Anglirú sem apear, apesar de saber o sofrimento que me espera! Apenas o fatídico quilómetro da Cueña les Cabres tem mais pendente do que os que acabei de fazer…
A ascensão total deu um tempo de 29 minutos.
Depois, fui visitar o museu da Sidra, onde pude aprender a importância deste néctar na cultura asturiana. Os asturianos, à nossa semelhança, são bem desenrascados. Não existindo na zona uvas em quantidade suficiente para a produção de uma quantidade aceitável e comerciável de vinho, optaram pela produção de sidra a partir das imensas espécies de maçãs que se cultivam por aqui.
Aproveitei o resto do dia para visitar Mieres e recolher informações sobre o Museu do Minério e Indústria a visitar no dia seguinte.

Logo no início a transposição do Rio Cares faz-se por uma ponte de pedra bem engraçada.

O trilho não é complicado, pelo que a progressão foi sendo executada rapidamente.

Ao chegar a Bulnes, foi com tristeza que verificamos que não era prudente continuar a subir até ao Pico, devido ao intenso nevoeiro que nos rodeava, por isso retrocedemos a Puente Poncebos, após percorrermos as escassas ruas da isolada aldeia. Mas foi pena, pois à noite falei com um casal que lá foi e o topo estava límpido. O Álvaro Henrique despedia-se também do solo asturiano, regressando a Portugal.
Eu, ficava só, livre para concretizar as minhas diatribes sem dar cavaco a ninguém! E como objectivos fixados tinha: a conquista de Casielles, a conquista do Anglirú, visitar Oviedo, percorrer o roteiro da arte pré-românica e visitar os Museus da Sidra e do Minério e Indústria.

… tentámos ir dar umas remadelas de canoa, mas a coisa não se proporcionou. Decidimos, como alternativa, visitar o majestoso Mosteiro de Covadonga …

… o impresionante Mirador de la Reina …


… e os magníficos lagos Enol e Ercina.

Aproveitei também para “estudar a olho” a Cuesta de la Huesera, pois estava decidido a conquistar Casielles e o Anglirú (porque não havia por ali nada mais fácil …) nos dias que se seguiam.
Após o almoço deu-se a partida do Isidoro, do Ricardo e do Álvaro Vieira. Fiquei com o Álvaro Henrique e decidimos fazer uma caminhada…



…até ao Refúgio Marqués de Villaviciosa, em Veja Ariu, de onde se avista o majestoso Picu Urriellu (Naranjo de Bulnes) do outro lado da garganta do Rio Cares.


Aproveitei a conversa para ir conhecendo melhor o meu companheiro de escalada e posso dizer que fiquei muito surpreendido, pois é bem mais comunicativo do que supunha inicialmente. E lá fomos debatendo pontos de vista sobre imensos temas… Muito enriquecedor, confesso.
No regresso, ao avistarmos o Lago Ercina, fomos brindados com este esplêndido panorama no momento do pôr do Sol…

… sem palavras …

O objectivo perfilado era conquistar o Pico San Carlos, o Miradouro de Fuente Dé e, no final, atacar o Muro del Mancondiú, conquistando o Pico del Mancondiú. No entanto, confesso que nunca acreditei que alguém quisesse sujeitar-se a tal “tratamento”…
Arrancámos de Sotres, por trilho, em direcção ao Miradouro de Fuente Dé.
Sabíamos, à partida, que a subida até ao miradouro seria longa, mas não muito inclinada. Contudo, havia quem receasse uma possível inadaptação à altitude e quem amaldiçoasse a “brincadeira” do dia anterior…
O Filipe impôs um ritmo “corajoso” no início, o que originou a divisão em dois grupos (Ricardo, Pintainho, Filipe e Isidoro em velocidade de “caracol”) (os Infantrilheiros Álvaros e Paulo Borges na tão reconhecidamente demolidora “velocidade de canhão”).
A ascensão foi sendo feita em ritmo “pausado”. O Ricardo parecia não estar pelos ajustes “fugindo” constantemente…
Após passarmos as majadas de Vegas del Toro, o estradão começou a inclinar-se com várias rampas consecutivas a 15%.
O Filipe, inadaptado à altitude, teve de apear! Era evidente que estava em dificuldades.
O Isidoro também passou um mau bocado, pois ia andando aos zigue-zagues, qual acrobata.
O Ricardo é que não sentia problema algum e lá continuava a fazer “estragos”! Eu, lá me ia divertindo, ora fotografando uns bichanos,
ora a perseguindo quem ia à frente,
ora esperando por quem vinha atrás,
ora aproveitando para tirar umas fotos e (des)anima-los…
Perto do Hotel Odriozola parámos para reagrupar.
Após cerca de 20 minutos chegou o segundo grupo liderado pelo … Álvaro Vieira!
Continuámos, todos juntos, mas por pouco tempo, pois nova cisão aconteceu! De novo os dois grupos. Pareciam realmente existir duas velocidades distintas de pedalada! Apenas o “canhão” do Isidoro destoava, como vem sendo hábito.
Finalmente, após o Chalet Real, o Ricardo “não aguentou” aquele ritmo manhoso que vinha impondo e “deixou” outros irem na vanguarda…
Em La Sierruca nova paragem para reagrupamento. Desta vez a espera alcançou uns incríveis 45 minutos!! Até acabei por ter sorte, pois continuei até ao miradouro…

… e quando voltei para trás já lá ia meia horita...
Após novo reagrupamento, alcançámos os 2.050 mts de altitude perto do Pico San Carlos. Aí havia alguma neve que proporcionou as indispensáveis “brincadeiras de crianças”.
Descemos até ao miradouro (eu pela segunda vez) para apreciar a arrebatadora paisagem e tirar a fotografia da praxe ...

... e depois foram cerca de 20 Km sempre no “prego” até Sotres, descendo em pouco tempo tudo o que se havia subido em muito. Fizemos um pequeno desvio até à ermida de Nuestra Sra. de las Nieves ...


... para passar num trilho no meio das manadas que por ali pastavam e apreciar a beleza daquele prado verde em pleno vale.
E ainda deu para dar uma mãozinha ao Filipe, que furou.No final era impossível demover alguém de ir para o duche. Queria ir “cumprimentar” o tal muro, mas acabei por regressar também.


O trilho escavado nas encostas da garganta esculpida pelo rio ao longo de milénios é deveras encantador, sendo até imponente e atemorizador quando nos aproximamos da beira.
O caminho foi sendo percorrido a velocidade moderada, de maneira a apreciarmos a “arte natural”.
Apesar de irmos a andar, notava-se algum cansaço na maioria dos elementos. Já em Cain, procedeu-se ao merecido relaxamento à beirinha do rio.
No regresso a Puente Poncebos, sem o Filipe que voltou de automóvel, o Isidoro abriu as hostilidades … impondo um passo fulgurante … que ninguém conseguiu acompanhar! Nem uma “escaladora” lá do burgo o conseguiu ultrapassar, segundo testemunho do Ricardo, que o perseguia ao longe…
A coisa ia animada. A meio do caminho, num completo acesso de loucura, os Álvaros, o Isidoro e o Ricardo tentaram descer em direcção ao rio por um “desfiladeiro” de calhaus rolantes!
Contudo, ao aperceberem-se da dificuldade da façanha, voltaram para trás, tendo de ajudar o Álvaro Vieira a largar uma “âncora” que por lá encontrou e que o salvou de resvalar por ali abaixo… É razão para dizer: abençoado calhau!
A tentativa frustrada levou a um súbito descarregar de adrenalina, tendo o grupo iniciado marcha em corrida acelerada e, em alguns casos, “competitiva”!
Eu continuei nas calmas, rindo-me do desenrolar da “corrida” com alguns estupefactos observadores. Soube depois que até houve sprint final para o primeiro lugar (Isidoro e Paulo Borges) e para o terceiro (Álvaros e Ricardo). O regresso foi feito num inacreditável tempo de 1:40 hrs!!
(Durante este passeio, além das inúmeras belezas naturais também foi possível, para não cansar a vista, vislumbrar outro tipo de belezas…)





Esta clássica do grupo Infantrilhos já não era realizada há muito tempo, pelo que se notava que a expectativa era enorme.
A volta iniciou-se lentamente, como tem sido apanágio dos últimos passeios, com a já habitual “Brigada dos Canhões” a impor o “seu ritmo”* na vanguarda! O Gps assim o obrigava.
Até à Póvoa da Galega trilharam-se caminhos conhecidos. Depois, foi uma aventura. Com a Serra do Socorro como pano de fundo, os trilhos iam sendo transpostos facilmente...

Num deles, vi o da objectiva (Paulo Borges) a sorrir, no meio dos arbustos, à espera de um “momento mau”. Para lhe fazer a vontade, desmontei… Fiz isto umas cinco ou seis vezes durante o passeio, para ter a certeza que alguma foto haveria de ficar com qualidade. Portanto, se virem alguma, já sabem…
Também assistimos a uma espectacular demonstração do Henrique! Mostrou ao pessoal como se transpõe um rego … de gatas! Lindo… Foi o Farelo que te ensinou?
A média quilométrica estava a ser boa até pararmos num forte das Linhas de Torres, um pouco antes da maior dificuldade que nos esperava.

Aqui, assistiu-se a um festim de pândega de alguns elementos que tinham trazido o farnel de casa. Contudo, o L-Glutamina limitou-se a ingerir um litro de algo que jurou a pés juntos ser legal. No outro dia vi num documentário uns detritos do urânio que estão a enriquecer no Irão. As semelhanças eram imensas…

A visão da Serra, aquele pico imponente, teve efeitos diversos nas diferentes criaturas. Enquanto uns ficaram mais empolgados, outros começaram a rezar as primeiras orações do dia.
A vertente escolhida para a ascensão era bem acessível, mas provavelmente haveriam outras bem mais “engraçadas”! Provocariam, certamente, momentos bem hilariantes!
As dificuldades iniciaram-se após um cruzamento perto da A8. Aí, cada um impôs o seu ritmo e lá se foi escalando, mais ou menos penosamente. O aroma dos eucaliptos é uma maravilha, nesta época primaveril e a paisagem proporcionada por esta vertente quase que nos impulsiona para cima. Após um troço muito técnico, com algumas rampas íngremes onde abundam regos e calhaus, entra-se na rampa em paralelo que leva ao topo. Aqueles 300 metros finais são demolidores, sempre acima dos 15% e onde o constante saltitar proporcionado pelo piso em nada ajuda.
Nesta fase, ao abeirar-me do precipício, vi os restantes peregrinos “perdidos” encosta abaixo, cada um por si, carpindo as agruras da subida. À frente, seguia o Hugo (deixei-o ir na frente, para ele ficar contente).

Após a curva para a esquerda e pronto para atacar a última rampa que leva à capela, estiquei a camisola, endireitei o capacete e ataquei a dita em pé, com toda a força. No topo, levantei os braços com um sorriso estampado, à espera de ver o fotógrafo de serviço de objectiva na mão, imortalizando tão magnífica prestação! Só depois me apercebi que esse ainda vinha bem longe, lá em baixo… Entristecido por este momento tão desmotivante, dei meia volta, e fui serra abaixo atrás do Hugo (é complicado redigir sobre a subida que realizou, pois ia uns míseros centímetros à minha frente, mas como ia muito depressa, pareceu-me bem mais cansado do que eu!).
Encarei com o magnífico Isidoro que atacava a última dificuldade com valentia … o sorriso estampado no rosto … a gola bem direitinha … só depois se terá apercebido da ausência do fotógrafo!
Logo atrás, com pose de gladiador, vinha o Biker! Era evidente que vinha no encalço da presa (Isidoro), pelo que para ele foi boa a ausência da objectiva para a posteridade. A carantonha com que vinha não seria a mais recomendável…
Ao descer um drop ainda vislumbrei uma luta titânica entre o L-Glutamina e o Paulo Borges. O primeiro, gastando os últimos vestígios de “gasóleo”, lá ia resistindo à captura; o segundo, ia olhando o conta-Km e fazendo contas à sua progressão, aplicando o conveniente handicap!
Continuei a descer e já no empedrado deparei com um duo em “ritmo vegetal” (Ricardo e Henrique). Acenei, sorri, esbracejei, disse-lhes que já faltava pouco … e eles nada! Nem pestanejaram!! Iam em reserva de calorias, com toda a certeza!
Depois … uma visão horrenda!! Um bom pedaço atrás, onde a inclinação se acentua, uma carantonha de bradar aos céus!! Era o Álvaro!! Vinha a balbuciar qualquer coisa (… este volante … e tal … que é grande …). Quando me viu, desfez a careta, abriu aquele seu sorriso tão característico e sem eu nada lhe perguntar, respondeu: “Vem gente lá atrás!!).
Fiquei abismado! Como era possível! Já estava quase no sopé da montanha! Mas, na dúvida, continuei a descer. Ao passar por ele tive de me desviar da pesada âncora que arrastava…
E lá voltou ao relambório do costume (… é que é o raio do espigão … e tal … que o banco …e não sei quê …).
Era a âncora, rapaz, era a âncora!
Já no caminho de terra batida pareceu-me vislumbrar, ao longe, um peregrino, de joelhos, serra acima, carregando uma enorme cruz! Isto há cada um…
Após mais algumas centenas de metros, numa curva, encaro com o dito! Era o Paulo Sousa! Não vou aqui descrever a sua expressão por respeito às mentes mais impressionáveis. O Hugo, assustado com tal silhueta, fazia-lhe companhia. O gajo nem tugiu nem mugiu! Estava mais vegetal que o eucalipto ali à beira da estrada. Dei meia volta e meti-me ao seu lado. O Hugo arrancou no encalço do da âncora.
Eu, por ali fiquei. Lá fui fazendo um monólogo para passar o tempo, pois do outro ser … nem um piu! Ao entrarmos no empedrado fui-me divertindo a contar os paralelos! São 117.596 até lá cima! Também observei pelo menos sete espécies diferentes de escaravelhos!
A dado momento afastei-me dele para o deixar respirar. Se estivesse a menos de 3 metros era capaz de ser “sugado”, tal era o arfar!! No topo, ainda lhe disse que o fotógrafo (agora já lá estava!!) estava “à coca”, para limpar as lágrimas e a baba que lhe escorria abundantemente! Mas fiquei com a impressão que ele estava a ser atacado por algum tipo de paralisia, pois não esboçou o mais pequeno movimento.

No alto, já em momento de relaxe, lá se ouviram as piadas do costume: “… o Hugo é mau…”, “… o Pinto tem asas…”, “… que afinal era a escora…”, “… pelo handicap vou em segundo…”, “… que a urina queima a sanita…”, etc, etc…
Enquanto isso, num cantinho mais recatado, o L-Glutamina deglutia avidamente o quarto litro daquele líquido saudável!!

Iniciou-se o regresso às origens com a descida da montanha a grande velocidade. A meio perdi-me, mas consegui guiar-me pelo rasto de destruição deixado pelo suor do L-Glutamina! Pelo sim, pelo não, tive o cuidado de não por os pneus em cima “daquilo”! Foi por isso que me atrasei…

Gostei mais dos trilhos de regresso que dos de ida. Foi curiosa a passagem de nível e o trilho que se lhe seguiu. O tal onde o Ricardo (primo do Isidoro) conseguiu “arrancar” a haste do quadro! Deve ser da costela familiar. Esses pedais são para tratar com jeitinho…

No limite da freguesia da Sapataria, quando subia a rampa de Moitelas atrás do Hugo (por opção), ia com a vã esperança de me aparecer o tal tractor de que o Álvaro tanto fala. Aí é que ele ia ver! De repente, ouvi um som grave atrás de mim! “Aí vem ele…” pensei. Olhei sobre o ombro, numa réstia de esperança... Mas não… Não era o tractor… Era o Isidoro em pé sobre os pedais, a dar-lhe com tudo.
Do topo, ainda deu para ver o Álvaro a olhar para tudo quanto era sítio à procura “dele” … mas desta vez a sorte não lhe sorriu.
No alto, despedimo-nos do Paulo Sousa (Jasusss!! Que cara!!) e do L-Glutamina (tinha de ir por causa das horas … mas, reparei que tinha os bidões de urânio vazios …) que continuaram por asfalto.
Seguimos por uns trilhos no topo dos montes, com magníficas paisagens e onde a pedra rolante era rainha! Bem difícil para quem não tinha suspensão total. Nessa fase, numa descida, ouvi atrás de mim uma lamúria “… e não sei quê … o pneu …”, abri para a direita e passou o Álvaro na brida…

Não sei como o fez, mas quando olhei para trás era eu que arrastava a âncora!!
Até ao Freixial foi sempre no “prego”.
Nesta fase, diverti-me bastante com o Álvaro! Ora arrastas tu, ora arrasto eu…
Já no Freixial, quando nada o faria supor, ao atacar uma “parede”, o som brutal de uma manada em fúria ecoou atrás de mim! Olhei… Era o Paulo Borges … estatelado! Aquele som … nunca o esquecerei!! Quem cai com um baque daqueles tem de levar um bónus no handicap. Felizmente, apenas restaram uns arranhões no cotovelo, no joelho … e na alma, por não ter ultrapassado o pequenito que seguia na frente! Como viste, não é para todos! Piu!
O Isidoro e o Ricardo tiveram de tomar um caminho alternativo, pois os afazeres profissionais assim o exigiam.
Voltamos a montar e eis senão quando o Henrique começa a falar de bifanas e boémias e não sei que mais… Pronto, caldo entornado… A partir deste momento não ouvi o Álvaro falar de mais nada senão de bifanas e boémias… Nem quando perguntou como se ia para Fanhões e ouviu a implacável resposta se queixou! A última rampa seria subida a … pensar na bifana!
Ao atacar os cowboys livrei-me de vez da maldita âncora. Passei pelo Álvaro que falava de mostarda e alguns molhos do género, pelo Paulo Borges que ia a fazer contas de handicaps sobrepostos e acumulados (idade, arrobas, pedaleira, tombo, joelho, cotovelo…), pelo Henrique que implorava por comida, pelo Biker que jurava sentir-se nas últimas, mas continuava a pedalar. No final, tinha o Hugo à espera, que me disse para apertarmos no ritmo, pois sentia as pernas pesadas por andar devagar! Pois… Como é que é mesmo?! Onde está o tractor?
Decidimos rumar ao Infantado, para comer e beber algo no Nanni. Que bem soube aquela bifana…
Espero não esperar mais um ano para realizar de novo esta clássica. Numa só palavra: fabulosa!!

Nesta romaria participaram os seguintes peregrinos (na foto, da esquerda para a direita): Henrique, o boémio; Paulo Sousa, o da cruz; Hugo, o “fraquinho”; Ricardo, o tractorzinho; Paulo Borges, o do handicap; Isidoro, o tractor; Biker, o gladiador; L-Glutamina, o nuclear; Pintainho, o do “paralelo”; Álvaro, o da âncora.
Este giro foi realizado a 29 de Abril de 2006, teve uma extensão de 66 Km à média de 13 Km/hr.
* - Aprox. 17 cm/segundo

No Alto do Andrade, após uma paragem para reabastecimento líquido no Parque Natural, o Álvaro lá deu o braço a torcer, “esquiando” até Loures acompanhado pelo surpreendente Borges, que disse estar fatigado por umas aventuras de sky! No entanto … tenho dúvidas! Para quem anda a “sofrer” no Socorro … talvez estas rampazecas não produzam o estímulo necessário! Não queiras as “paredes” só para ti! Partilha… (foi uma pena ficarem por aqui, porque seguiu-se, quanto a mim, a parte mais original e bonita do passeio)
Do inicial grupo de oito elementos … restava um quinteto de “resistentes”! E qual foi a atitude? Aumentar a dureza do giro, testando a capacidade de sacrifício de cada unidade! Primeiro … o “ataque” ao topo do Cabeço, com aquela sempre complicada passagem por aquele terrível troço acima dos 25%!

Depois, a perigosa descida para a povoação de Montachique, iniciada por um original drop só ultrapassado pelo Hugo e pelo Pintainho (leram bem!), onde se segue um perigoso “tapete de calhaus rolantes” (e lá estava o calhau com a espantosa marca do Biker! Eu vi!) com um final repleto de “piscinas lamacentas”.
Em direcção à Freixeira, teve de se andar por hortas e “trilhos lavrados”! É uma zona onde os trilhos estão normalmente rodeados de terrenos cultivados ou arborizados com árvores de grande porte. Aqui aprendi com o Isidoro uma valente lição: numa rampa de acentuada inclinação, contou-me umas quantas piadas e depois deixou-me quase “a pé”, a rir à gargalhada! A “veterania” sabe muito…
A ligação Montachique-Freixeira apresentou uma invulgar beleza pré-primaveril, pois, aliados aos campos cultivados vislumbravam-se alguns prados onde marcavam presença erva e flores, na sua maioria azedas, que dão sempre um refrescante ar à paisagem. Claro que a sol radiante e as gotas do orvalho matinal davam uma luminosidade característica! Que pena não ter a objectiva à mão … mas haverá mais oportunidades!
Ao atingirmos a Freixeira, o Biker revelou debilidades físicas … por excesso de treinos (!), e o Pirata estava apertado pelos ponteiros do relógio (sempre tão “rígidos” como o famoso rolo…).
Apesar de ainda os convencermos a subir a Carcavelos, isso não foi possível, pois aliado ao portão (transponível) que vedava a passagem para o trilho pretendido estava o sempre horroroso arame farpado.
Como alternativa, seguiu-se pela nacional até Lousa, em grande velocidade. Aqui assistiu-se a um engraçado golpe de teatro! O grande Isidoro, na retaguarda do grupo, aos gritos para se virar para a Carrasqueira, para atacar a serra … o Biker e o Pirata, na frente, a fazerem “ouvidos de mercador”… Após rápida troca de cumprimentos, o Hugo e o Pintainho deram meia volta … indo na peugada do corajoso Isidoro, já em plena “faena” … enquanto o Biker (realmente fatigado, desta vez … foi quase a todas) e o Pirata (rolo… rolo… rolo…) calcaram o asfalto até Loures.
Curiosamente … dos oito iniciais … sobrava um trio! Apenas três! Os três mosqueteiros! E qual não foi o meu espanto quando reparei que … nenhum era elemento do Infantrilhos! Nem um! Então pessoal? Como é? Toca a pedalar!
Na rampa para as Salemas o Hugo lá foi naquele seu insuportável ritmo, tão peculiar … tão “maldoso”! A roda do Isidoro estava “escorregadia”, pelo que o Pintainho seguiu um pouco atrás … fazendo companhia aos caracóis! A pilha já tinha pouco para dar!
No topo o Isidoro encabeçou o “pelotão”, levando-nos por uns trilhos bem engraçados, que ele tão bem conhece e onde se sobe um curto “muro” acima dos 30%!
Na Murteira mostrou-nos uma incrível “engenhoca” que construiu, para as “aventuras rebeldes” que costuma fazer com o Evaristo. Imaginem uma canoa, um atrelado e uma bicicleta! O que têm em comum? À primeira vista … nada! Mas ele, ainda tinha força para nos mostrar como se faz… Montou a “burra”… com o atrelado encaixado… e a canoa lá “pendurada”… e foi connosco fazer uma derradeira subida!!! Só mesmo visto, este Magnífico camarada do pedal!
Após a despedida, o Hugo e o Pintainho lá prosseguiram até Loures, em excelente ritmo, por algum tempo acima dos 60 Km/hr.
No final a lavagem da “burra” … o merecido banho … e o ansiado almoço …
42 Km a 13 de média foram os dados finais de um giro bastante acidentado.
De realçar as paisagens sublimes (essencialmente na zona da Freixeira), o agradável convívio e a indispensável fadiga, que fizeram deste giro mais um grande momento de lazer. Para a semana haverá mais. Após troca de impressões com o Hugo, concluímos que esta zona até à Venda do Pinheiro está ainda por “desbravar”, pelo que algumas voltas do futuro deveriam incidir sobre estes locais.
Neste magnífico giro (vai deixar saudades) participaram: Evaristo, o “prematuro”; Álvaro, o “6 arrobas”; Borges, o “esquiador”; Pirata, o do “rolo…”; Biker, o “fatigado”; Pintainho, o “caracol”; Hugo, o “mau”; Isidoro, o “engenhocas”.


Contudo, todos passaram esta “pequena” dificuldade com distinção!

Quem diria que se sobe a mais de 20%!

… no topo … a paisagem (1ª foto) … indescritível …
Na descida técnica que se seguiu, tive o “privilégio” de ver o Pirata dar um grande “mergulho”, felizmente sem consequências.
No início da ascensão das Sardinhas, a malta do btt quis mostrar aos do asfalto que tem aprendido umas coisitas!
Ora observem bem como a malta da lama apreendeu as técnicas da estrada!

Muito bem! Aqui, todos na roda! Provavelmente, só agora o Fantasma se aperceberá que havia “turras” no seu encalço!
Após “vergar” mais uma dificuldade, o grupo aproveitou a bela paisagem para tirar a foto do dia, enquanto as caras ainda pareciam “humanas”.

Após a perigosa descida para A-dos-Cãos, onde os enormes “calhaus rolantes” são sempre uma “caixinha de surpresas”, os imparáveis veteranos começaram a encabeçar o pequeno pelotão.
Trilhando por inexistentes trilhos, liderados pelo camarada Isidoro, deu para ver que a veterania dá cartas no monte! E faz muitos jovens corarem de vergonha! Esta malta um pouco menos jovem, é terrível! Não verga! Duros de roer! Nem ai, nem ui … qual quê … é sempre a “aviar cartucho”!
Na ascensão para Bolores, aparece o companheiro Glutamina, sempre com excelente disposição, apesar da “queda em câmara lenta” sofrida logo no início da subida.
.
.Aproximadamente a meio da dificuldade … pausa para um momento sempre importante: umas dentadas acompanhadas com umas boas gargalhadas!

... o espírito … do convívio … sempre presente …
Em Bolores, após a transposição de algumas “piscinas” lamacentas, deu-se a despedida dos “veteranos” Fantasma e Isidoro. Os restantes continuaram a saga, em direcção a Monfirre, onde os trilhos são bem distintos devido ao solo, meio arenoso, meio pedregoso. E deu para ver, na descida para o Vale do Inferno, o Pirata em grande estilo! Saiam da freeeeeeenteeeeee…
Depois … nova dificuldade na terrível rampa para a Choutaria. Aquela "parede" final é demolidora! E quando o “gás” já não é muito … adoptam-se novas técnicas de btt!


Mas acabaste em grande, comparsa Biker.
Depois, seguiu-se por estrada, pois o tempo apertava, em direcção a Montemuro e Carcavelos. Desceu-se a grande velocidade o trilho de ligação a Ponte de Lousa. Nova divisão dos elementos do grupo. Era a despedida do Pirata e do Glutamina, que aceleraram pelo asfalto. O Biker (vai a todas, nunca para, é pior que o coelho da Duracel!) e o Pintainho lá continuaram o “martírio”, por trilho, em direcção à Murteira e A-das-Lebres.
Finalmente, ao chegar à BP, a fadiga já dava alguns sinais de presença. Eram 40 Km a 12 de média! Estava na hora do duche!
Na minha opinião, foi um excelente passeio de bicicleta; daqueles que nos mata a fome do pedal acumulada durante a semana. Não se trilhou por nenhuma daquelas aterradoras “paredes” que quase nos fazem cuspir um pulmão (… que pena …) ! Contudo, é obvio que foi um pouquito mais cansativo que tocar pífaro ou dançar o vira! Mas, por incrível que pareça … não se ouviu um único piu de queixume! Nem um!!! Portanto … o giro deveria ter sido … mais duro!
Nesta voltinha participaram os seguintes “lamacentos”: Isidoro (o lamacento “veterano”), Fantasma (o lamacento que “não verga”), Glutamina (o lamacento das “quedas em câmara lenta”), Pirata (o lamacento “triturador”), Biker (o lamacento que “vai a todas”), Pintainho (o lamacento das “paredes”).
Até … ao próximo lamaçal.